Filme de Catarina Alves Costa: estreia amanhã

 
NACIONAL 206 

 No doclisboa www.doclisboa.org 

 18 Outubro, Sábado, 23.15h, Grande Auditório da Culturgest 
 

~ por Maria Cardeira da Silva em 2008/10/17.

Uma resposta to “Filme de Catarina Alves Costa: estreia amanhã”

  1. doclisboa 2008
    6º Festival Internacional de Cinema Documental

    CATARINA ALVES COSTA E LARANJA AZUL
    NACIONAL 206

    18 Outubro, Sábado, 23.15h, Grande Auditório da Culturgest

    Esta película apresenta-nos a Fábrica Têxtil Riopele, S. A., localizada na Pousada de Saramagos (concelho de Vila Nova de Famalicão), empresa fundada em 1927, que na sua actividade dedica-se à produção de fios e tecidos de algodão, dispondo de sectores de fiação, torcedura, tinturaria, tecelagem e acabamentos. O tema remete-nos para uma região, de grande densidade fabril, o Vale do Ave, no sector têxtil, desde os finais do século XIX.

    Ao longo deste filme percebemos o efeito estruturante de toda a vida económica e social, a que se juntam pessoas e locais, numa linha de mono-especialização, onde a questão do parentesco assume relevo.

    O filme apresenta-nos três temporalidades que marcam os ritmos da vida, numa relação entre operários e espaço fabril que o tempo parece recuperar.

    A primeira temporalidade, constitui o “tempo longo”, uma história quase imóvel que nos apresenta a interacção entre os operários e a fabrica, suas simbioses e estranhamentos, as limitações de uns diante do outro. Quando falamos em “tempo longo” referimo-nos a uma “duração” que neste caso compreende mais ou menos cinquenta anos. O “tempo longo” é aquele que se alonga e que parece passar mais lentamente. Na minha opinião a película apresenta-nos uma temporalidade espacializada onde o tempo infiltra-se, nos homens e mulheres, nas máquinas, nos carretos e nas salas a ponto de quase desaparecer. Este tempo de permanências não é uma moldura, mas o quadro em si.

    Sobre a primeira temporalidade surge um outro “tempo”. Ele constitui a “média duração” que rege os destinos colectivos e os movimentos de conjunto. Este tempo mostra-nos a evolução das estruturas, que abrange os sistemas sociais e económicos da comunidade nos seus ritmos e ciclos.

    Por fim, surge-nos o terceiro “tempo” em sobreposição aos anteriores. O “tempo curto” aquele que nos conta os acontecimentos, sendo formado por um conjunto de perturbações superficiais.

    As entrevistas apresentadas feitas a um conjunto de antigos funcionários (alguns ainda no activo e outros reformados) permitiu-nos recriar o tempo. Assumi-lo como um tempo construído e não como um tempo vivido a ser reconstítuido. Estudá-lo permite-nos perceber como ele é afectado por certos processos que se desenvolvem na sua passagem, ou como a temporalidade afecta de diversos modos a vida presente. Uma parte da reestruturação que a empresa sofreu no ínicio da década de 90 passou pela mudança de geração, pois a modernização de equipamentos levou à dispensa de pessoal e á admissão, em menor número, de outro mais qualificado.

    Relatos de velhos e novos que encontram hoje um mundo de “Novas Oportunidades”, procurando a educação e o conhecimento, revelam-nos o sentimento daquilo que muda, bem como daquilo que permanece, nas comunidades e nos índividuos.

    Entendo que procurou-se mostrar que tudo está sujeito a mudanças, ainda que lentas, o que inclui o próprio Espaço. E que, Homem, Espaço e Tempo coexistem e aparecem como três factores indissociáveis.

    Vitor Hugo
    19-10-08

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